Seguro Empresarial

Checklist de Coberturas do Seguro Empresarial: O Que Conferir Antes de Cotar

Checklist de coberturas do seguro empresarial

No compreensivo empresarial, o preço quase nunca é a variável que decide. O que decide é o desenho da cobertura — e ele só aparece quando se compara item a item, com o mesmo roteiro para todas as propostas.

Três propostas de compreensivo empresarial chegam com preços parecidos. A tentação é decidir pelo mais barato ou pelo relacionamento com a seguradora. O problema é que, nesse produto, duas apólices com o mesmo nome de cobertura podem se comportar de maneira completamente diferente no sinistro.

O que separa uma análise consistente de um chute é ter um roteiro fixo, aplicado igual em todas as propostas.

1. Comece pela cobertura básica

No compreensivo empresarial, a básica costuma ser incêndio, raio e explosão. Ela é obrigatória e sustenta o contrato: sem ela, não há apólice.

O que conferir:

  • Qual é exatamente o evento coberto — explosão de qualquer natureza ou apenas de aparelhos e substâncias específicas?
  • Fumaça e danos por combate ao incêndio estão dentro da básica ou são adicionais?
  • Qual o LMI da básica e como ele se relaciona com o LMG da apólice?

2. Liste as adicionais que o risco pede

Adicional só existe se for expressamente contratada. Não adianta o cliente achar que "está no pacote".

Para a maioria dos riscos empresariais, vale conferir:

CoberturaPonto de atenção
Vendaval, granizo, tornadoSe granizo está junto ou em cláusula separada, e se há exigência de danos à estrutura
Danos elétricosIdade máxima do equipamento, limite por item e exigência de laudo técnico
Roubo e furto qualificadoSe furto simples está excluído e quais vestígios são exigidos
Equipamentos eletrônicosSe cobre dados, mídia e software ou apenas o hardware
Quebra de vidrosSe inclui letreiros, fachadas e mão de obra de reinstalação
Responsabilidade civil operaçõesEscopo de terceiros, danos morais e limite agregado
Lucros cessantesBase de cálculo, período indenitário e forma de comprovação
Alagamento e inundaçãoSe cobre entrada de água por chuva e se há carência

3. Cheque limite por cobertura, não só o total

É comum comparar apólices pelo LMG e concluir que são equivalentes. Elas raramente são.

O LMG é o teto da apólice inteira. O que decide o sinistro é o LMI de cada cobertura, isoladamente. Um LMG generoso com um sub-limite baixo em danos elétricos entrega menos, na prática, do que um LMG menor bem distribuído.

Vale também verificar se alguma cobertura opera a primeiro risco absoluto — nesse regime, não há rateio, e o segurado recebe o prejuízo até o limite contratado independentemente do valor em risco. É uma diferença relevante e nem sempre visível na proposta comercial.

4. Compare franquias e POS separadamente

Franquia e POS não são a mesma coisa, e misturá-los distorce a comparação:

  • Franquia — valor fixo descontado da indenização. Previsível.
  • POS (Participação Obrigatória do Segurado) — percentual do prejuízo, normalmente com valor mínimo. Cresce com o tamanho do sinistro.

Um POS de 10% com mínimo de R$ 5.000 parece inofensivo em um sinistro de R$ 20.000 e pesa muito em um de R$ 500.000. Faça a conta nos dois cenários antes de dizer ao cliente que a franquia "é parecida".

Teste rápido de franquia

  • Simule um sinistro pequeno (R$ 15 mil) e um grande (R$ 300 mil).
  • Calcule o desembolso do cliente em cada proposta, nos dois cenários.
  • A proposta que ganha no cenário pequeno costuma perder no grande — mostre os dois.

5. Leia as exclusões da cobertura, não só as gerais

As exclusões gerais valem para o contrato inteiro e são o que a maioria lê. As que costumam pegar o corretor de surpresa são as exclusões específicas de cada cobertura adicional, que ficam junto da própria cláusula.

É ali que aparecem restrições como equipamentos acima de determinada idade, danos decorrentes de manutenção deficiente, gradualidade e vício próprio. Vale a leitura dirigida — o roteiro está em como identificar exclusões antes do sinistro.

6. Verifique as obrigações do segurado

Cobertura contratada não garante indenização se o segurado descumpriu uma obrigação contratual. Nas Condições Gerais, procure por:

  • prazo de aviso de sinistro;
  • exigências de sistema de proteção (alarme, brigada, extintores, CFTV) e de manutenção comprovada;
  • obrigação de comunicar mudança de atividade, reforma ou desocupação do imóvel;
  • hipóteses de perda de direito.

Essas cláusulas são a origem de boa parte das negativas — e são também as mais fáceis de resolver na venda, com um alinhamento de dez minutos com o cliente.

7. Confirme se o segmento é aceito

Nem todo compreensivo empresarial aceita toda atividade. Postos de combustível, indústrias com processo térmico, casas noturnas, depósitos de produtos inflamáveis e clínicas com equipamento de alto valor costumam ter tratamento diferenciado — ou estar fora do produto.

Confirmar a atividade antes da cotação evita a pior conversa possível: a de desfazer, depois de emitida, uma apólice que o produto nunca deveria ter aceito.

Como montar o comparativo

Depois de percorrer o roteiro, o material para o cliente sai sozinho. Um quadro com as coberturas nas linhas e as propostas nas colunas, marcando presença, limite e franquia de cada uma, mostra a diferença de desenho melhor do que qualquer texto.

Na ConGeres, esse quadro é o próprio módulo Comparar Coberturas: você marca as coberturas de interesse e a plataforma mostra quais produtos as contemplam, com a redação da cláusula acessível em um clique. O resultado pode ser exportado em PDF para anexar à proposta.

O ganho não é só de tempo. É de consistência: usar o mesmo roteiro em toda cotação faz com que a sua recomendação tenha um critério — e um critério é o que sustenta a conversa quando o cliente pergunta por que não escolher o mais barato.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre cobertura básica e cobertura adicional?

A cobertura básica é obrigatória e sustenta o contrato — no compreensivo empresarial costuma ser incêndio, raio e explosão. As adicionais só existem se forem expressamente contratadas e cada uma tem o seu próprio limite, franquia e conjunto de exclusões.

Por que duas propostas com o mesmo nome de cobertura podem ser diferentes?

Porque o nome da cobertura é comercial, e o que vale é a redação da cláusula nas Condições Gerais. "Danos elétricos" pode incluir ou excluir equipamentos com mais de dez anos, limitar por item, ou exigir laudo — tudo isso muda o resultado de um sinistro sem mudar o nome da cobertura.

O que é POS no seguro empresarial?

POS é a Participação Obrigatória do Segurado: um percentual do prejuízo que fica por conta da empresa, normalmente com um valor mínimo. Diferente da franquia em valor fixo, o POS cresce junto com o tamanho do sinistro.

Lucros cessantes entra no compreensivo empresarial?

Costuma ser uma cobertura adicional, com regras próprias de período indenitário e de comprovação contábil. Vale conferir se a base de cálculo é margem bruta, faturamento ou despesa fixa, porque a diferença entre elas é grande.

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